"Quem é ele?", perguntou André, indicando um garoto alto, magro de cabelos cacheados que cutucava desnecessariamente a carne na churrasqueira, ao lado de Cíntia, que esperava pacientemente uma fatia não-crua da picanha pingando sangue.
Fábio seguiu o olhar do amigo, pensou por um momento e deu de ombros.
"Acho que é o primo da Laila", respondeu.
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"Oi", disse um garoto de covinhas e bochechinhas, os cabelos cacheados, a Cíntia.
"Tudo bom?", ela respondeu. Cíntia estava num humor excepcionalmente bom, com seu short azul-bebê e a camiseta branca transparente por cima do biquine marrom, o cabelo solto e óculos de sol. Esses momentos-saúde faziam bem de vez em quando.
"Gosta dessa música?", ele perguntou, referindo-se à até-então-não-notada música do Maroon 5, alguma das novas.
Cíntia deu de ombros, concordando superficialmente. Não tinha escutado direito, nem se importava. Estava curtindo o momento, e achando o máximo.
Mas ele não desistiria tão fácil. Fernando, aliás. O nome dele.
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Cíntia encostou a cabeça no ombro de Fernando, sentindo o calor sob a camiseta dele. Estavam os dois na beira do lago, assistindo ao pôr-do-sol. Não que desse para ver alguma coisa, mas o céu mudando de azul para amarelo, depois laranja, vermelho, até roxo e verde, era a coisa mais intensa que ela já tinha sentido. Não só por causa do céu.
Fernando passou uma das mãos pelos ombros dela, que tremia de frio, por causa do cabelo ainda molhado da piscina e da camiseta sem mangas. Cíntia se aconchegou contra seu corpo, passando os dedos pelo jeans claro e áspero da sua calça jeans. O que ela sentia era grande, e não me venha pensar besteiras. Subia pela garganta, inflava o peito e formigava os pés. Ela sentia nas juntas e em todos os músculos. Ou então era só o período do mês.
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"E aí, gostou?", perguntou Laila, depois de todos os outros já terem indo embora. Ela e Cíntia estavam na banheira do quarto dos pais de Laila, que tinham viajado. A banheira tinha nove metros quadrados, banquinhos e hidromassagem. Era quase uma piscina.
"Do quê?", Cíntia perguntou, lendo distraidamente um vidro de shampoo. Ela estava com muito sono e se sentindo meio irritantemente eufórica, não o melhor estado de espírito para conversas.
"Do meu primo!", disse Laila, rindo. "Eu vi vocês lá em baixo, no maior love."
"Ah," ela respondeu, olhando para baixo. "A gente nem ficou."
