"Meu nome é Micaela, mas pode me chamar de Mika. Eu odeio meu nome", disse, mal-humorada, a garota de short verde limão, depois de dar um longo trago no Camel entre os dedos sujos de tinta preta e marrom.
As outras pessoas espalhadas pelo gramado ignoraram o comentário, e continuaram a fazer o que estavam fazendo, trocando as músicas no iPod, comendo frutas cristaizadas, acendendo cigarros ou apertando furiosamente os botões de celulares, como se deitar-se na grama, no Parque da Cidade, às nove horas da manhã de uma terça-feira nublada, vestindo shorts de seda, camisetas finas e transparentes e ankle boots azul-turquesa fosse a coisa mais normal do mundo.
A uns três metros dali, um garoto, que não devia ter mais de 16 anos, clicava ritmadamente numa câmera grande e de aparência profissional, os cotovelos ossudos formando ângulos estranhos. A poucos metros dele, um segundo cara caminhava lentamente entre as pessoas, com uma filmadora grande e cara apontada aparentemente a esmo para os rostos dos integrantes daquele grupo singular.
Alguns poucos pedestres, corredores, ciclistas, passavam ali por perto, estranhavam a cena, mas não se detinham muito tempo.
Passados quarenta minutos, um pouco mais ou pouco menos, surgriu, deus sabe de onde, um homem vesindo calças xadrez cinza e roxo, o cabelo loiro visivelmente artificial, com uma xícara de café fumegante em uma das mãos e um picolé ainda fechado na outra. Ele passou o picolé ao garoto fotógrafo e disse, a meia voz:
"Acho que já está bom, Roberto. Tchau."
As pessoas antes estiradas no chão se levantaram e passavam as mãos na parte de trás das pernas, arumavam o cabelo ou coçavam o pé. O homem-da-filmadora amarrava o cadarço do tênis, agachado ao lado de uma pilha de copos descartáveis e caixas transparentes de frutas cristalizadas.
Roberto encarou o sorteve em suas mãos, e pendurou a câmera no pescoço. Depois virou para o homem ao seu lado, que agora segurava, além do café, um iPhone que pressionava contra a orelha, escutando pacientemente o zumbido que saía do pequeno auto-falante. Roberto esperou ele desligar.
"Você tem como me dar uma carona até a W3?", perguntou.
O homem o fitou.
"Você não devia estar na escola agora?", ele disse, levantando uma das sobrancelhas.
"É... devia", respondeu o garoto, por fim.
"Sua mãe sabe disso?", continuou ele, ainda desconfiado.
Houve uma pausa enquanto Roberto tirava o cartão de memória da câmera.
"Espero que não", respondeu, e entregou o cartão ao homem. Depois abriu o pacote rosa-choque do picolé e deu uma lambida. O gosto era horrível.

4 comentários:
"As pessoas antes estiradas no chão se levantaram e passavam as mãos na parte de trás das pernas, arumavam o cabelo ou coçavam o pé."
que nojo q
tás falando sério? hahahaha
eu amo suas narrativas *-*
Olá, não me leve a mal. Talvez você não goste desse tipo de comentários, mas como estive fora do blog por 3 dias, hoje estou passando somente para agradecer a todos que comentarão no meu blog. Obrigado.
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www.conquistadoresdm.blogspot.com
cara. eu realmente nao sei o que dizer. hum.. eu pago muito pau pro que você escreve, e sempre que eu enrto no pc, confiro se você postou alguma coisa. pelo amor de deus, não desiste de escrever, porque [suponho] você ainda tem muito o que escrever.
begos.
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