Estava frio, apesar do Sol forte. O vento que soprava e balançava a superfície brilhante do Lago era gelado, e fazia o cabelo de Cíntia mudar de lugar constantemente, batendo nas lentes dos enormes óculos escuros.
Era terça-feira, e ela estava sentada numa mesinha perto da água, fora da sombra do guarda-sol, com um vestido claro e leve e casaco lilás. Havia uma pequena bolsa em cima do tampo de vidro, bordada com cristais, miçangas e lantejoulas em cores pastel, por cuja abertura podia-se ver um maço de Marlboro lights, um iPod prata e algumas notas de vinte. O celular estava ao lado da bolsa, o descanso de tela mostrando a hora: nove e treze.
Tomou um pequeno gole do chá gelado de pêssego, fazendo os cubos de gelo tilintarem;
queria mesmo é uma cerveja.
