Parou num boteco ali por perto, entre uma floricultura escura e a calçada cheia de calombos e placas de cimento quebradas. Acenou com a cabeça pedindo uma cerveja, que foi batida com ênfase contra o balcão gorduroso à sua frente. Pagou e saiu.
Estava frio pra cacete. Meteu uma mão no bolso da jaqueta, a outra gelando em contato com a garrafa, e fez um pequeno esforço, como quem testa uma teoria desinteressante, para buscar um pensamento, uma lembrança, uma idéia. Pensar na vida. Não conseguia, constatou, nem queria, nem precisava.
Por dois centímetros não pisou numa merda de cachorro na grama, e por dois segundos não foi atropelado por um fiat branco, que ia a 135 km/h, enquanto atravessava o eixão em lento ziguezagueado.

2 comentários:
belas palavras..
confusa, é verdade, mas belas!
Por nada! Esteja avontade pra vir até o meu as vezes, dar uma olhada, dizer o que pensa...
É um convite.
Postar um comentário