sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

XVII.I

"Cacete, cacete, cacete.", xingava André, andando de um lado para o outro na sala, remexendo os bolsos da calça e do paletó jogado no sofá. "Porra. Perdi meu zippo.""É um sinal dos céus", gritou Laila da cozinha, onde lavava alguns copos, usando apenas um sutiã e um short azul de pijama. "Pra você parar de fumar." Comentário que nem de longe acalmou André. "Velho! Eu paguei mais de cem reais nessa porra!", ele continuava. "Comprei anteontem, cacete!" Ele foi até a cozinha, perguntou onde tinha um isqueiro.

"E fósforo?"
"Acende no fogão," sugeriu Laila, desinteressada, abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de vodka no congelador e uma de rum na porta.
Foi o que André fez, de má vontade. Abaixou a cabeça, com o cigarro pendurado na boca, e acendeu-o na chama azul do fogão de aço inoxidado, soltando uma baforada mal-criada por toda a cozinha e voltou para sala atrás de Laila.
Cíntia estava meio jogada no sofá, com as pernas penduradas por cima do braço do sofá e a cabeça apoiada no colo do amigo de André. O vestido azul estava meio levantado, deixando a calcinha branca à mostra. Hmm.
"Hugo", André disse, ainda nervoso. "Você viu meu isqueiro?"
"Não vi não."
"PORRA", ele exclamou. Cíntia abriu ligeiramente os olhos e fitou o amigo por um instante. Fechou-os novamente, como se estivesse tomando uma decisão, e sentou-se. Esticou as pernas e repousou os pés na mesa de centro, e depois olhou para Laila. Mais especificamente para a garrafa em suas mãos. Ela sorriu ao encontrar o olhar da amiga semi-nua. Cíntia levantou-se de uma vez só, tomou a garrafa das mãos de Laila e rumou lentamente para o quarto, olhando-a sugestivamente. Hm.
André levantou uma sobrancelha para Hugo. Os dois levantaram simultaneamente, e seguiram as duas pelo corredor. Hm.

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