Viviane calçou os sapatos e se pôs na frente do espelho. Alta, mas não muito, um tanto quanto magra, mas tinha seus atributos. O cabelo alisado estava um pouco espetado atrás. O maior problema era a blusa listrada cinza e branca, que não combinava nem um pouco com o short. Pensando melhor, estava frio, ela deveria ir de calça. Abriu o armário e ia pegar uma jeans escura, quando viu uma calça amarelo marca-texto escondida sob os vestidos. Hmm. Tirou os sapatos, tirou o short e vestiu a segunda calça, analisando o efeito no espelho. Ok.
"CARALHO, VIVIANE, VAI LOGO" veio o berro de fora do quarto. Larissa, sempre tão estressada.
"Não estou com pressa!", ela respondeu para a irmã. Eram dez pras oito, no convite estava escrito oito horas. Ia demorar mais ou menos quinze minutos para chegar lá, e, contando o atraso elegante, ela ainda tinha muito tempo para se arrumar.
Ela ouviu a irmã dizer mais qualquer coisa, gritou "tá bom!", por via das dúvidas e calçou sapatilhas pretas. Brincos... Abriu o pequeno porta-jóias de pedra sabão, pegou brincos azuis escuros de plástico e se olhou mais uma vez no espelho de corpo inteiro. O conjunto estava de gosto meio duvidoso, mas quem se importa. Qual bolsa? Chega de cores. Pegou sua bolsa branca de algodão e transferiu quase todo seu conteúdo (a carteira rosa-antigo, o celular, o maço de Parliaments e os óculos escuros) para uma grande bolsa de couro preto e alças douradas.
Pôs uns grampinhos no cabelo, para segurar sua quase-franja no lugar. Não que eles fossem ficar lá por mais de meia hora.
Saindo do quarto e descendo as escadas, disse:
"Ok, vamos."
Larissa estava com um vestido azul bebê na altura do joelho, sandálias de couro cru marrom e um casaco branco.
"Aonde você vai?", perguntou Viviane.
"Pro shopping", respondeu, levantando do sofá e desligando a TV.
Larissa dirigia um Uno cinza. Era ou isso ou um Gol, e qualquer coisa é menos brega que um Gol. O Uno chega a ter sua graça, meio retrô. As duas entraram no carro em silêncio. Viviane estava com um pouco de sono. "Vai passar", ela pensou.
"Põe na Rihanna", Larissa pediu. Viviane apertou o botão 6, da rádio Mix. Estava tocando Rihanna.
Larissa era tão esquisita de vez em quando. "Larissa", ela pensou. "Larissa e Viviane. Viviane e Larissa". São dos nomes completamente diferentes, não parecem ter sido escolhidos pelos mesmos pais para duas irmãs. Larissa era em homenagem à avó das duas. Viviane a mãe que escolhera. Que saudades da vovó Larissa. Imagina se fosse o contrário, seria vovó Viviane. Depois ela se lembrou que será avó um dia. "Vovó Vivi". Riu.
Chegaram no prédio de Laila, para a festa de aniversário de Fábio. O pai de Laila estava sempre viajando, e a mãe dela morava a duas quadras de distância, o que possibilitava a Laila ficar sozinha em casa. As festinhas lá eram freqüentes.
"Tchau, sis", disse Viviane pegando a sacolinha dourada no banco de trás. Tinha comprado um CD, ninguém mais compra CDs, mas ela achou um presente legal.
"Divirta-se", recomendou Larissa com um sorrisinho.
"Ah. Eu vou dormir aqui, tá? Eu já falei com a minha mãe."
"Tá, tchau", disse, e foi embora, depois de abrir e fechar de novo a porta mal-fechada por Viviane.
O vento fez com que Viviane se arrependesse de não ter pego um casaco, mas tudo bem, lá em cima deve estar quente.
"Apartamento 503", disse para o porteiro, que apontou a direção da última porta sem precisar interfonar. Ela não devia ser a primeira a chegar, com certeza que não. Andou rápido, tremendo de frio. Apertou o botão do elevador, que estava no quinto andar. Se olhou no espelho ao lado, deu uma ajeitadinha e abriu a porta do elevador, agora no térreo.
Laila atendeu à campainha vestindo um short rosa-claro, uma camiseta branca e chuteiras pretas. Os cabelos brilhantes estavam meio presos num rabo de cavalo no alto da cabeça e ela sorria. Mas não estava bêbada.
Ainda.
"CARALHO, VIVIANE, VAI LOGO" veio o berro de fora do quarto. Larissa, sempre tão estressada.
"Não estou com pressa!", ela respondeu para a irmã. Eram dez pras oito, no convite estava escrito oito horas. Ia demorar mais ou menos quinze minutos para chegar lá, e, contando o atraso elegante, ela ainda tinha muito tempo para se arrumar.
Ela ouviu a irmã dizer mais qualquer coisa, gritou "tá bom!", por via das dúvidas e calçou sapatilhas pretas. Brincos... Abriu o pequeno porta-jóias de pedra sabão, pegou brincos azuis escuros de plástico e se olhou mais uma vez no espelho de corpo inteiro. O conjunto estava de gosto meio duvidoso, mas quem se importa. Qual bolsa? Chega de cores. Pegou sua bolsa branca de algodão e transferiu quase todo seu conteúdo (a carteira rosa-antigo, o celular, o maço de Parliaments e os óculos escuros) para uma grande bolsa de couro preto e alças douradas.
Pôs uns grampinhos no cabelo, para segurar sua quase-franja no lugar. Não que eles fossem ficar lá por mais de meia hora.
Saindo do quarto e descendo as escadas, disse:
"Ok, vamos."
Larissa estava com um vestido azul bebê na altura do joelho, sandálias de couro cru marrom e um casaco branco.
"Aonde você vai?", perguntou Viviane.
"Pro shopping", respondeu, levantando do sofá e desligando a TV.
Larissa dirigia um Uno cinza. Era ou isso ou um Gol, e qualquer coisa é menos brega que um Gol. O Uno chega a ter sua graça, meio retrô. As duas entraram no carro em silêncio. Viviane estava com um pouco de sono. "Vai passar", ela pensou.
"Põe na Rihanna", Larissa pediu. Viviane apertou o botão 6, da rádio Mix. Estava tocando Rihanna.
Larissa era tão esquisita de vez em quando. "Larissa", ela pensou. "Larissa e Viviane. Viviane e Larissa". São dos nomes completamente diferentes, não parecem ter sido escolhidos pelos mesmos pais para duas irmãs. Larissa era em homenagem à avó das duas. Viviane a mãe que escolhera. Que saudades da vovó Larissa. Imagina se fosse o contrário, seria vovó Viviane. Depois ela se lembrou que será avó um dia. "Vovó Vivi". Riu.
Chegaram no prédio de Laila, para a festa de aniversário de Fábio. O pai de Laila estava sempre viajando, e a mãe dela morava a duas quadras de distância, o que possibilitava a Laila ficar sozinha em casa. As festinhas lá eram freqüentes.
"Tchau, sis", disse Viviane pegando a sacolinha dourada no banco de trás. Tinha comprado um CD, ninguém mais compra CDs, mas ela achou um presente legal.
"Divirta-se", recomendou Larissa com um sorrisinho.
"Ah. Eu vou dormir aqui, tá? Eu já falei com a minha mãe."
"Tá, tchau", disse, e foi embora, depois de abrir e fechar de novo a porta mal-fechada por Viviane.
O vento fez com que Viviane se arrependesse de não ter pego um casaco, mas tudo bem, lá em cima deve estar quente.
"Apartamento 503", disse para o porteiro, que apontou a direção da última porta sem precisar interfonar. Ela não devia ser a primeira a chegar, com certeza que não. Andou rápido, tremendo de frio. Apertou o botão do elevador, que estava no quinto andar. Se olhou no espelho ao lado, deu uma ajeitadinha e abriu a porta do elevador, agora no térreo.
Laila atendeu à campainha vestindo um short rosa-claro, uma camiseta branca e chuteiras pretas. Os cabelos brilhantes estavam meio presos num rabo de cavalo no alto da cabeça e ela sorria. Mas não estava bêbada.
Ainda.

