sexta-feira, 22 de outubro de 2010

poetando

come pick me up




on your monster truck.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

XXXIII

Esticava os dedinhos ao sol com um contentamento felino. Fechou os olhos sob os óculos escuros, ajustou a aba do chapéu de palha e afastou qualquer pensamento senão da satisfação daquele verão artificial.

O verão é o pai de todos os prazeres tranquilos, das risadas leves, das gotas de água salgada nas bochechas morenas. Dos joelhos ralados, das manchas de sol, do sorvete de limão às seis da tarde ensolarada, sentados na calçada, entre mosquitos, mariposas, bicicletas, chinelos e outras crianças.
Não ousou abrir os olhos até que o sol se afastou da janela, trazendo de volta a realidade do inverno, do vento frio e seco, da decepção eterna do tempo presente e dos amores frustrados.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

XXXII

Cataclisma pessoal
O universo inteiro em sua cabeça, estrelas e galáxias. Silêncio. Espirais brilhantes roxas e verdes, girando, girando... Apertou os olhos com mais força. Sentiu o rosto quente, e virou a cabeça sem se mover. O sol... O sangue pesava em seus ouvidos, as batidas do seu coração pareciam passos fortes e apressados, que nunca se aproximavam. Havia um aperto na boca do estômago, mas ela não sabia onde estava seu estômago... Flutuava. Milhões de estrelas desconhecidas, não, bilhões, trilhões. Precisava tomar alguma direção. Sabia que não poderia voltar. Como escolher apenas uma estrela, se todas são igualmente distantes?