sexta-feira, 2 de julho de 2010

XXXIII

Esticava os dedinhos ao sol com um contentamento felino. Fechou os olhos sob os óculos escuros, ajustou a aba do chapéu de palha e afastou qualquer pensamento senão da satisfação daquele verão artificial.

O verão é o pai de todos os prazeres tranquilos, das risadas leves, das gotas de água salgada nas bochechas morenas. Dos joelhos ralados, das manchas de sol, do sorvete de limão às seis da tarde ensolarada, sentados na calçada, entre mosquitos, mariposas, bicicletas, chinelos e outras crianças.
Não ousou abrir os olhos até que o sol se afastou da janela, trazendo de volta a realidade do inverno, do vento frio e seco, da decepção eterna do tempo presente e dos amores frustrados.